Clique para ampliar a imagem Clique para ampliar a imagem

Cadillac Cyclone: condução automática e
linhas inspiradas na corrida espacial

Para a indústria norte-americana, a década de 1950 trouxe aos automóveis itens de estilo inspirados na corrida espacial, como turbinas, aletas e ogivas. E, desse período, 1959 foi o ano em que os carros atingiram seu ápice em exageros de desenho, com enormes "rabos de peixe", cromados em profusão e nenhuma preocupação com a sobriedade. Imagine o que acontece quando, justamente nesse ano, uma das marcas mais adeptas dos excessos desenvolve um carro-conceito.

O Cadillac Cyclone foi o último estudo elaborado sob a batuta de Harley Earl, que chefiou o departamento de Estilo da General Motors até 1958. E fechou com chave de ouro seu período por lá, pois levava a extremos a associação dos automóveis com os foguetes que os EUA e a Rússia enviavam ao espaço.

O Cyclone lembrava um foguete quando visto de perfil, tinha cones nas extremidades dianteiras e diversas aletas na traseira, encerrada com elementos que pareciam turbinas. Além disso, uma bolha de plástico transparente cobria a compacta cabine de dois lugares, como em um avião de  caça, e erguia-se para acesso dos ocupantes. Um revestimento com prata na face externa do plástico reduzia a transmissão dos raios solares.

As portas deslocavam-se para trás. Alto-falantes permitiam falar com alguém fora do carro, já que não havia janelas. E, quando desejado, a cobertura podia ser recolhida e guardada sob a grande tampa traseira, que se abria para trás. O grande carro media cinco metros de comprimento, 2,64 m de distância entre eixos e apenas 1,11 m de altura. E foi construído em aço, não em plástico e fibra de vidro como outros estudos.

De aspecto moderno, embora menos futurista que a carroceria, o interior trazia soluções inovadoras. Um sistema automático de condução identificava fios elétricos enterrados na estrada, para seguir a direção certa sem o motorista tocar no volante, e havia radares na frente para alertar sobre a proximidade de um veículo e, se o condutor não o fizesse, acionar os freios
— o que chegaria a carros de produção 40 anos depois.

Sob o capô dianteiro foi instalado o então novo motor V8 de 6,4 litros, com carburador de corpo quádruplo e potência bruta de 325 cv. A caixa automática de três marchas tinha esse número duplicado por um diferencial com duas reduções. Direção assistida, ar-condicionado e suspensão com molas a ar não foram esquecidos. Curiosas eram as saídas de escapamento à frente das rodas dianteiras.

Depois que Earl se aposentou, seu sucessor Bill Mitchell decidiu adaptar o Cyclone a novos padrões de desenho para que pudesse continuar a ser exposto em eventos. A capota deixou de ser usada e as grandes aletas da traseira foram bastante reduzidas, o que deu origem ao Cyclone XP-74 de 1964 (mostrado nas duas últimas fotos). A suspensão a ar, que havia apresentado problemas, deu lugar a molas helicoidais comuns. Embora abandonado como projeto, o conceito ainda hoje pertence à GM.

Clique para ampliar a imagem

Clique para ampliar a imagem

Clique para ampliar a imagem

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

Supercarros - Página principal - Escreva-nos - Envie por e-mail

Data de publicação: 1/10/11

© Copyright - Best Cars Web Site - Todos os direitos reservados