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Buick Y-Job, 1938: o primeiro dos
carros-conceito a gente nunca esquece

Na década de 1930, o estilo dos automóveis norte-americanos parecia ter apenas suavizado as arestas dos primeiros carros produzidos. Embora as formas arredondadas estivessem em voga, para-lamas, para-choques, faróis e lanternas pareciam acrescentados no último momento, o para-brisa era muito vertical e havia estribos. As carrocerias ainda eram bem altas e não muito largas. Então Harley Earl decidiu mudar tudo isso.

Esse californiano nascido em 1893 foi um engenheiro e projetista industrial que começou na General Motors em 1927 e por lá ficou por 32 anos, até 1959. Quando chefiava o departamento de Estilo, ele propôs a criação do primeiro carro experimental da indústria destinado a avaliar a aceitação do público a novas ideias de desenho. Até então, os projetos especiais dos fabricantes visavam apenas a chamar atenção pelo exotismo, sem a intenção de aproveitar elementos de estilo em futuros modelos de produção. A expressão dream car, ou carro de sonho, só seria cunhada mais tarde e levaria décadas para dar lugar a carro-conceito, como os chamamos hoje.

Coordenado por Earl, desenhado por George Snyder e com a parte técnica a cargo de Charlie Chayne, o carro que apontaria tendências para a divisão Buick destacava-se pela integração dos elementos de estilo. Mesmo salientes, os para-lamas mostravam maior fluidez em sua conexão com a carroceria; os para-choques vinham mais próximos dela, as maçanetas quase não se notavam e não havia estribos, mesmo porque o automóvel era mais baixo que o habitual. A grade com múltiplos frisos cromados verticais fazia conjunto com faixas nos para-lamas dianteiros e traseiros repletas de frisos horizontais. O para-brisa bipartido era baixo e levemente inclinado para trás e, não menos importante, mecanismos escamoteáveis ocultavam os faróis quando apagados. Embora o Cord 810/812 de 1935 já usasse algo parecido, as luzes do Buick rodavam em um eixo em vez de se erguer nos para-lamas. As rodas de só 13 pol sobressaíam num tempo em que 16 pol eram o padrão.

Com a carroceria conversível de dois lugares apoiada sobre um chassi do modelo Century de produção, o grande Buick media 5,29 metros de comprimento, 1,89 m de largura, 1,47 m de altura e 3,19 m entre eixos. O motor de oito cilindros em linha e 320 pol³ de cilindrada (5,25 litros) fornecia potência bruta de 141 cv, algo respeitável na época, e o câmbio manual de três marchas tinha alavanca na coluna de direção. Earl não abriu mão de aplicar uma boa mecânica ao carro de sonho porque, ao contrário do que acontece hoje com os conceitos, ele o dirigia como transporte cotidiano. Vidros e a capota tinham comando elétrico. O projetista (a seu lado na última foto) deixou o nome do carro por último. Como a letra X (de experimental) era amplamente usada pela indústria em projetos, ele escolheu a próxima no alfabeto, Y. Portanto, Y-Job ou trabalho Y.

A avalanche de carros de sonho que a equipe de Earl desenhou nas décadas seguintes levou o Y-Job a ser esquecido em um armazém. Encaminhado ao Museu Alfred Sloan em Flint, no estado de Michigan, ele continuou sem o merecido brilho até ser comprado por um colecionador de carros-conceito. Restaurado sem perder as marcas de uso por seu famoso criador, ele passou ao museu Henry Ford em Dearborn e em 1993 voltou para casa, o Centro de Estilo da GM em Warren, também em Michigan, onde permanece exposto com o orgulho de quem foi o primeiro de muitos.

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Texto: Fabrício Samahá
Fotos: divulgação

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Data de publicação: 3/4/10

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